15 de abr de 2011

Do nunca e do pra sempre

Nunca é muito perto para sonhos abortados.
É lugar-comum para quem quer descansar do cansaço de procurar por portas abertas (pois que o desejo de abrir portas não é suficiente para que elas se abram).
Nunca é a lei de um tempo que corre para lugar algum: se é nunca, não vai existir no tempo. E o que não existe no tempo não é. E o que vou fazer com coisas que não são? Coisas que apenas se prometem mas se perdem no excesso da falta?
Pra sempre é muito longe para a fluidez de ser.
Pra sempre é um ato de fé. Uma mentira necessária para quem quer se fazer constante e maior que a força caótica da Vida (do caos nascem estrelas e também buracos negros).
Só o tempo existe pra sempre, e eu sou apenas intervalo (e o que é intervalo não pode conter/almejar eternidade). Sou começo, meio e fim. Começos, meios e fins, dentro de um único dia. Dentro de um único inspirar/expirar, sente? Ciclos incansáveis que se encerram pelo misterioso e factual Fim maiúsculo.
E eu não me canso de perguntar pelo sentido disso Tudo. E eu me canso de não saber responder (e recorro ao nunca das portas proibidas/fechadas).
Talvez o sentido do mundo seja gago: sem-sentido. E não me venha falar que deus-sabe-o-que-faz, porque.

t. prates


PS I: Pessimista? Talvez - se houver mesmo necessidade de tal conceituação (e há?). Apenas falo de como a vida se deu a mim no dia de hoje. Amanhã? Amanhã pode ser que nada do que eu disse e penso faça mais sentido. Mas amanhã ainda não é. E o que não é não pode ser expresso.

PS II: A respeito do amanhã: o quanto o amanhã me rouba do hoje? Da urgência do hoje, que é o que eu de fato tenho?

PS III: pequena prece à Vida (porque suportar dor sem fé em alguma coisa, nem que seja em si mesmo, é um sacrifício sobrehumano - e eu sou apenas demasiado humana): que a vida seja generosa comigo, amém.

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