1 de ago de 2010

Do soneto do amor intrépido




Admito a cadência vacilante
dos meus passos em tua direção.
O receio da dor, paralisante
quebra a marcha e confunde o coração.

E não é, senão, o amor aquele instante
que se salta, sem ver do abismo o chão?
Tal audácia não se exige do amante
que pretenda, para o amor, coroação?

Não há regra, certeza ou vantagem.
Grande é o risco, e maior a coragem
que se exige para este passo além.

Se às dúvidas e medos sobra margem
que o ousar seja a intrépida vantagem
de quem quer somar-se à vida de alguém.


t. prates

> Imagem: Martin Stranka
> Soneto originalmente publicado na Confraria dos Trouxas.

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