26 de jun de 2009

Do poema emprestado

Também sempre quis, amiga,
um amor que me viesse cantiga.
Que me ninasse
ao cair da noite
e me cantarolasse
à moda antiga.
Um amor ameno,
a menos
quando assim não o quisesse.
Um amor que soubesse
fazer-se meu
sem que eu
tivesse de pedi-lo.
Sempre quis, de verdade,
um amor que não gostasse
disso ou daquilo.
Um amor que concordasse
em ir comigo a todo canto
apenas pela minha companhia.
E que me trouxesse
menos dissabores
e mais alegrias.
De todos os meus amores,
o que me desse mais carinho,
o que me quisesse sua
sob todas as luas.
Mas um amor
que soubesse estar sozinho.
Que tivesse
afazeres particulares,
alguns prazeres
de quando ainda menino.
Um amor leve
que compreendesse
a ausência breve
de quando me sinto poetisa.
Também sempre quis, Elisa,
um amor que me aplaudisse.
Um amor maduro
que não temesse
me perder por tolices.
Que, seguro,
ele me motivasse a ser mais,
desprezando o ciúme
que, vez ou outra, sentisse.
Um amor que me beijasse
com suas mãos
em meu rosto.
Que me deixasse
na boca
um gosto de céu.
Cadê esse amor
que não sai do papel?
Que encomenda é essa
que não vem?
Metade de mim se desespera.
A outra metade é só de espera,
seja lá o tempo que passe.
Ah, eu sempre quis um amor
que assim também me aguardasse.

Renata de Aragão Lopes*,
"Ao aguardo do amor"
confeiteira do "Doce de lira"

* Obrigadíssima, querida, pela permissão! Essas palavras foram/são tão "minhas", a partir do momento que as li, que senti a necessidade de colocá-las na história da minha alma.
Obrigada pela partilha poética. :)

15 comentários:

Kenia Cris disse...

Lindas palavras! Todo mundo certamente gostaria de ver esse amor chegar. Beijocas!

Renata de Aragão Lopes disse...

Talita,

"Ao aguardo do amor"
ficou lindo em seu espaço...
Que bom serem também suas
as minhas palavras.

Um abraço
e muito obrigada pelo prestígio!

pensar disse...

Ao ler essas lindas palavras me lembrei de um poema que escrevi e andava perdido, ai vai:

Metade


Metade fala
Metade se cala

Metade fica
Metade vai

Entre o céu e o mar
submersa em paixão
Entre pensamentos e sentimentos
Entre realidade e possibilidade
Era muito, só para ela

Mariana Cadore

R.Vinicius disse...

Que belo poema. Tanto seu quanto da autora. "Todo leitor torna-se co-autor."

Abraço,
R.Vinicius

Nathália disse...

Como alguém consegue colocar tanto sentimento em palavras?
Amei.

Antonio Araújo Jr. disse...

lindas palavras da renata, suas e agora minhas. Gostei muito do blog. Bato asa pra cá direto agora.
Beijão

Mayana Carvalho disse...

"Ah, eu sempre quis um amor
que assim também me aguardasse"
Faço dessas palavras "minhas" tambem!

Beijos

Adriana Godoy disse...

Que bom que você pode usufruir dos versos da renata. Assim também nos sentimos parte dessa história toda, como você. Linda escolha. Beijo.

* Bela* disse...

Lindo texto!
Realmente as vezes necessitamos de um amor como esses!
Graças a Deus encontrei o meu e sou grata eternamente por Ele ter me encomendado esse presente tão real em minha vida!

Sorte na procura!
[Nunca é tarde pra se sonhar, quando você menos esperar, ele aparecerá!]

Bjinhus =)

[Deixe sua marca no meu glamour!]

Talita Prates disse...

Lindo mesmo, né?
Não me canso de lê-lo... tá virando "oração"... huahauhau

Julio César Carvalho disse...

Lindo!!! Eis aí o sentido...
Demais!!!
bjo!!

Anônimo disse...

Ei Talita!!! O blog "O que elas estão lendo!?" está com sorteio!

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Depois é só cruzar os dedos!

beijos e boa sorte

Equipe "O que elas estão lendo!?"
www.elasestaolendo.blogspot.com

Marcelo Novaes disse...

Talita,




Essa quituteira sabe fazer as coisas.




;)



Capicce?!







Beijos,







Marcelo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Agradeço a todos pelos elogios!
Adorei o quituteira, Marcelo! (risos)

Se virar oração, Talita,
esse amor virá rapidinho.
Amém!

Um beijo pra você
e obrigada,
uma vez mais,
por haver esparramado
versos meus.

Leonardo Campos disse...

Nossa,

Renata, não te conheço, mas jurava que conhecia a autora.

 
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