21 de dez de 2011

Do mesmo, de novo

imagem: time manager

e o mesmo se repete.
de novo, o de novo
- que de novo só traz o nome
, desgastado no rolar do retorno.


quisera eu encontrar o vão
onde se escapa da redundância
dos atos falas ideias afetos e fatos
e ter, a cada novo tempo
uma ação,
um dizer,
um pensamento,
um sentir,
e fatos - novos
que me salvem da sensação usual
de que toda repetição
é em vão.


t. prates




"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". (...) a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir!"
[F. Nietzsche, em A Gaia Ciência]

10 comentários:

vanessa cony disse...

É Talita...Sensação de completo vazio quando o mundo se repete diante dos nossos olhos.Mas tenho para mim que em alguns momentos são os nossos olhos que precisam ser descortinados.O vício faz com que eles sigam sempre para uma mesma direção.E a vida,cheia de novas possibilidades nos espera justamente na direção contrária.Mas ela está lá,riquíssima e cheia de novidades para alegrar nossa existência.
Beijo no teu coração.

Rafael Castellar das Neves disse...

É...é o tal do eterno retorno que tanto nos assombra...rs

[]s

Linguagem e Poesia - Bruno de Andrade disse...

Há mais que dizer sobre seu texto e a citação nietzschiana, no entanto me limito a notar que essa sensação da novidade que se repete é comum quando estou diante da televisão: os produtos que ela disponibiliza para consumo diário enfadam e as novidades que se exibem trazem, em essência, sua marca envelhecida e trivial.

Beijos!

Antônio LaCarne disse...

talita, adorei teus textos.

abraço.

Poeta da Colina disse...

É uma arte criar novos caminhos, mas possível.

Adriana Godoy disse...

Talita, a pergunta do filósofo é a das mais profundas, o seu poema uma verdade, uma realidade na cara. Gosto de seus textos, menina.

Beijo

PS; Tomei a liberdade de pegar o texto do Nietzsche, tá?

Fabrício Franco disse...

Poetisa,

Talvez estejamos mais e mais entranhados nas rodas de Samsara, enquanto não atingimos a libertação final. Mortes e renascimentos quotidianos dos quais só saímos após atingirmos a Iluminação. É buscar a luz, enfim (Demóstenes & Hinduísmo juntos, só você mesmo para me fazer ver essa sincronia).

Beijos! Belo texto, como sempre!

Dellone disse...

Olá srta Talita
Encontrei teu blog agora
e
Gostei mutio do seu Blog
e de seus posts ...Seguindo!

Quando puder, visite-me
--> silenceshadows.blogspot.com

desde já lhe desejo BOAS FESTAS
e um FELIZ ANO NOVO!

Até breve!

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

Amiga,
apesar da ausência nestas datas, meu coração tá [sempre] com vc.
E eu deixo amor.

Perfeito seu texto. Sem mais!

Beijo
(F)

Alicia disse...

e no fundo eu acho que a gente não repete, mesmo quando faz igual...

 
;