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14 de fev. de 2010 39 Declarações de outras almas

do fruto da vida


adeus dará
ao costume quase ritual
do esforço mínimo
de apenas
orar-a-ação,
prescindindo da vida
face à esperança
da promessa
do porvir?

a deus dará
o paterno fortúnio
de já gozar a vida
- e vida em abundância
no reino
que já é desse mundo,
pois que, onipotente,
também é dele
o reino das terras?

ao deus-dará,
caminha sobre prados
ora verdejantes, ora secos;
serve-se das águas
ora tranquilas, ora revoltas.
tem o maior presente
dentro de si:
o sopro de vida
- e o fado da liberdade.

oxalá ouvísseis a voz do deus:
e porque estreita é a porta,
e apertado o caminho que leva à vida,
e poucos há que a encontrem*.

t. prates

*Mt 7,14


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"Escuta. Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. (...) Eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro. (...)

Sei que é perigoso falar na falta de esperança, mas ouve - está havendo em mim uma alquimia profunda, e foi no fogo do inferno que ela se forjou. (...) Mas ouve um instante: não estou falando do futuro, estou falando de uma atualidade permanente. E isto quer dizer que a esperança não existe porque ela não é mais um futuro adiado, é hoje. Porque o Deus não promete. Ele é muito maior que isso: Ele é, e nunca para de ser. (...)

Sei que o que estou sentindo é grave e pode me destruir. Porque - porque é como se eu estivesse me dando a notícia de que o reino dos céus já é. (...)

Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas a me prometer a vida. E este é o maior susto que eu posso ter. Antes eu esperava. Mas o Deus é hoje: seu reino já começou."

(Clarice Lispector, A paixão segundo G.H.)

Imagem daqui.


27 de ago. de 2009 38 Declarações de outras almas

Da liberdade concreta

T. Prates

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>> Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome...
[Clarice, pois é! rs]
12 de mar. de 2009 0 Declarações de outras almas

Das cinzas



Ela tinha um desejo...

Mas por medo o prendeu nos dedos...
Segurou tanto... que ele morreu.
Chora menina...por dentro, que ninguém te vê...
Canta menina,
Se aproxima o dia da libertação...
Recebe as cinzas, celebra a conversão...
Do cinzento no vermelho paixão.
Da pele fria na fogueira de amor e dor...
Diego Fernandes
 
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