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22 de fev. de 2012 10 Declarações de outras almas

Da cura


(lou)curo-te
em minhas
(in)sanidades
(sor)rio-te
em
(a)mar.


t. prates


Imagem daqui.
28 de out. de 2010 0 Declarações de outras almas

Da gula




estou faminta!
: tua falta
me alimenta.

estou sedenta!
: tua boca
me entorna.

estou farta!
: tua presença
é um banquete.

t. prates

Imagem daqui.
5 de out. de 2010 0 Declarações de outras almas

Do varal



(...)
quem sabe um dia, talvez,
nossas roupas outra vez
se encontrem num varal
lavadas,
passadas,
penduradas,
perdoadas...
(...)


Esse vídeo foi editado por mim, com uma canção que me emociona muito - O varal, de autoria de um querido amigo-mineiro, Marinho San, e Sandro Livahck.
Espero que vocês também gostem.

Um abraço,

TP.
22 de set. de 2010 0 Declarações de outras almas

Do prelúdio para acordar sapos (e sapas)




bem te quis
quando era uma vez.

(bem me quis
de rainha do rei.)

mal te quis
quando tua veste de gala ruiu.

(mal me quis
quando meu castelo de areia caiu.)

mal te quero
por te fingires príncipe, se sapo.

(mal me quero
quando o espelho mente, e me calo.)

bem te quero
em um reino de mim tão distante.

(bem me quero
quando guardo esse livro na estante.)

t. prates

Imagem: Masha Maklaut
13 de ago. de 2010 0 Declarações de outras almas

Da faxina



todo dia de manhã
ela limpava
esfregava
remexia
asseava
enxaguava
alvejava
aparava
encerava
purificava
o sentimento.
não gostava de amor empoeirado.
o zé?
o zé felizmente fazia a parte dele
e não entrava em casa com os pés sujos.


t.prates



"Todos os dias, quando acordo,
vou correndo tirar a poeira da palavra amor..."
(Clarice Lispector)

Imagem daqui, editada por mim.
Poema originalmente publicado na Confraria dos Trouxas.
1 de ago. de 2010 0 Declarações de outras almas

Do soneto do amor intrépido




Admito a cadência vacilante
dos meus passos em tua direção.
O receio da dor, paralisante
quebra a marcha e confunde o coração.

E não é, senão, o amor aquele instante
que se salta, sem ver do abismo o chão?
Tal audácia não se exige do amante
que pretenda, para o amor, coroação?

Não há regra, certeza ou vantagem.
Grande é o risco, e maior a coragem
que se exige para este passo além.

Se às dúvidas e medos sobra margem
que o ousar seja a intrépida vantagem
de quem quer somar-se à vida de alguém.


t. prates

> Imagem: Martin Stranka
> Soneto originalmente publicado na Confraria dos Trouxas.
16 de jul. de 2010 51 Declarações de outras almas

Da discordância



aprendi a desdenhar
da força das lembranças
dos amores findos


: das boas,
faço canção e componho sorrisos.

: às ruins,
esfrego na cara o poder do tempo.

procuro viver de presentes,
e ouso discordar de Adélia
*:
professo que:o que a memória amou
pode virar passado,
assim como a conjugação do verbo.

t. prates


*Adélia Prado,
para quem "o que a memória amou fica eterno".

> Imagem daqui.
7 de jun. de 2010 36 Declarações de outras almas

Dos multi.versos


o (meu) desejo
não se contenta
com um uni.verso

: está sempre à procura
dos multi.versos
que possam lhe dar
voz
vazão
vida
...


t. prates

Para o desejo do meu coração,
o mar é uma gota.
[Adélia]


Imagem daqui.





15 de abr. de 2010 34 Declarações de outras almas

Doa'mar


aproxi-

mar-
se
sem
medo
da
entrega
e ser-
vir
:
vir
a
ser
qual
o rio
que
serve
ao mar

amar: doar para inteirar-se (...)

t. prates

6 de abr. de 2010 25 Declarações de outras almas

Da canção do fim para o começo possível

Imagem de Chiara Fersini
Ouve, meu amor

: eis que a Vida quis inaugurar em mim uma nova vida – e eu me assustei com a novidade. Preciso do tempo para fazer com que esse novo fique conhecido e um pouco gasto e eu possa olhá-lo com menos estranheza, e para isso é imprescindível certa dose de solidão.

: nessa busca pungente e vital que tenho empreendido pela minha verdade, descobri que padeço do desconhecido do amor – só sei dele o que minha fantasia foi capaz de inventar. No mais, só tive pistas. E descobrir que até hoje eu só havia inventado o amor me desesperou – é como ter vertido dor em vão, ter saudade do que nunca foi - um desperdício da vida (que é o grande pecado).

Mas agora houve a mudança, meu amor (?), e ela veio de onde eu menos esperava – de dentro do mim (no mim existem coisas que o eu desconhece).
Eu, até aí tão inflexível na estrutura, ousei desconstruir tanta coisa, ousei colocar a casa abaixo e visitar o vazio da ausência dos pontos de apoio. Questionei os dogmas que embalavam minha bonança e minha vida segura. Para que?, você se pergunta... Para poder me reerguer sozinha e nova e sã e livre. Li-vre.
E te confesso (como é bom te confessar o que está além da minha nudez óbvia!) que tais descobertas me foram possíveis graças ao desnudamento da própria realidade (a alétheia tão desejada?): os sonhos estão acordando, as expectativas vestem trajes mais transparentes e a fantasia tem se me apresentado como exceção, não mais a regra.

O que eu quero? Eu desejo que o nosso amor (e a própria Vida) seja possível e tangível, sem fábula ou expectativas de perfeição. Não faço questão de alardes, mas de clareza. É esse o meu desejo. Ainda que para isso a gente tenha que inventar o fim: para que o começo seja real.
É preciso reinaugurar a nossa história.

(Não sei se o que vou te dizer é invenção, mas: eu te amo. Se o amor for uma escolha, eu escolheria te amar.)

t. prates



PS: Esse texto foi originalmente escrito para esse blog, mas acabou indo parar na Confraria dos Trouxas essa semana. Resolvi republicá-lo aqui, por fazer parte de um capítulo essencial na história da minha alma.
29 de mar. de 2010 10 Declarações de outras almas

Das várias vistas

Hoje é dia de texto meu na Confraria dos Trouxas. Para ler, clique na imagem.

o melhor desse nosso amor-à-primeira-vista
é que ele ainda acontece
em todas as vistas.

9 de mar. de 2010 33 Declarações de outras almas

Da conjugação


peço que me ames
sem tempos ou modos

(o pretérito já partiu.
o presente é tão frágil,
o futuro será sempre depois.)

caso queiras me amar,
que tu possas, junto a mim, fazer da dúvida
um caminho de descoberta
das pequenas certezas necessárias.

peço (pedir não custa) que me amar
seja imperativo
na liberdade do teu desejo.

inventemos um tempo nosso, meu amor
: o presente do infinito.
t. prates
8 de mar. de 2010 4 Declarações de outras almas

Da Confraria dos Trouxas


Quando nasci, um anjo vesgo
desses que erram a mira


Minha estréia na Confraria dos Trouxas, mais um blog coletivo.

Aguardo tua visita.

O beijo,

Talita.
23 de jan. de 2010 40 Declarações de outras almas

Do poema a 4 mãos


a princípio,
quero entrelaçadas
às minhas as tuas mãos
: tato - olhar - silêncio
- a poesia que nos espere.


Para uma alma-poeta que é luz
e saudade urgente em mim.

4 de jan. de 2010 39 Declarações de outras almas

Do soneto do amor trépido

Haverei de resguardar o coração
das inúmeras ciladas que há no teu?
Preterir-te, sem que meu instável chão
se desmanche, caso venha o adeus?

Nos meus sonhos, suplicante, em oração,
peço ao Deus que me conduza nesse breu
de amar-te; e, toda tua ser, então,
sem o medo que carrego, que é tão meu!

Haverei de esquecer que dor e amor
filhos são da mesma deusa e, com primor,
andam juntos e se deleitam nos reféns?

Haverei de abrir mão do teu calor
e ouvir esse meu pueril pudor
mas não ver o que a vida tem de além?
t. prates


> Eu e essa mania de amor.
>> Imagem daqui.
5 de dez. de 2009 33 Declarações de outras almas

Do(a) desfeito(a)


...
é que estou tentando calar
esse poema de amor
(de-amor?)
(de-des-amor?)
cujo começo
"Ousaste despertar em mim
uma esperança vã"
já me desagrada;
desagrada-me -
agora -
falar da esperança vã;
desagrada-me esse tema -
teimoso -
pois que agora -
e daí pra frente -
eu quero falar
(eu quero viver!)
da (a) realidade - sã.
t. prates

Imagem própria.
14 de nov. de 2009 36 Declarações de outras almas

Da evanescência



Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?
(Drummond)
10 de nov. de 2009 32 Declarações de outras almas

Do que preenche



conforta
o abraço
o que a palavra,
com força,
apenas tateia.
t. prates

Imagem daqui.
12 de out. de 2009 45 Declarações de outras almas

Da órbita

t. prates

* Clique para ampliar (e ver o "movimento").
** Poemeto modificado e republicado.
29 de set. de 2009 37 Declarações de outras almas

Da recusa

Convidei-te para entrar:
preferiste ficar à porta.

Convidei-te para dançar (ao som do silêncio):
preferiste a segurança inerte de inócuas palavras.

Convidei-te para sermos:
preferiste ser, sozinho.

Convidei-te para alcançar estrelas:
preferiste não tirar os pés do chão.
t. prates

Imagem daqui.
 
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