25 de abr de 2012 21 Declarações de outras almas

Da paisagem


minhas retinas
teimosas 
retêm 
os traços
do teu tato 
: meus olhos (res)sentem,

(por vezes,
o que está dentro das pálpebras 
faz mais paisagem do que está fora.)


21 de abr de 2012 22 Declarações de outras almas

De'ságua


.                 .               ainda que lave         .                       .
          .           .      .   a chuva lá fora    .           .            .
    .          .          .  tem gosto de lágrima.       .       .     .      .

  .     .         .    .         ainda que leve  .          .          .      .
.             .            .   o choro cá dentro    .           .         .       
     .      .       .         tem peso de chuva.       .         .          .


7 de abr de 2012 16 Declarações de outras almas

Da sublimação

Troche

você disse que
abre aspas
és o meu poema
não escrito, porque vivente,
de rimas imperfeitas, porque humana,
pulsante, porque de ossos, carne e sangue,
fecha aspas,
e eu quero te dizer que
(
ainda que ser o teu poema
fizesse com que eu existisse
com uma precisão invejável
)
eu quero apenas te ser
a tua mulher,
o feminino de um masculino,
um corpo no seu corpo,
a fazer versos inscritos
no corpo (porque em qualquer outro lugar me parece tão insustentável);
eu que, de tanta alma,
me esqueço da matéria viva de que sou feita;
eu que, de tanta alma,
troco a sublime ação por sua mera contemplação, o que tira o atributo de vida vivida, restando apenas a vida pensada,
(e isso que era pra ser um poema metalinguístico toma forma de um desabafo metafísico (definitivamente não sei ser só corpo) e prosaico (tão digno tanto um poema, por que não) e (me deixa abusar da pontuação para cercear o que quer explodir justamente para não ser domado, para não poder-ser-dito, me deixa?) eu me perco. e eu te peço que me ajudes a me achar. 
(se não encontrada, de que outra forma serei tua? de que outra forma poderei sequer ser minha?).
você disse que
eu sou o teu poema,
mas eu sequer sei me ser.



 
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