25 de mai de 2011 25 Declarações de outras almas

Do tempo impassível


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Nesse embate entre
mim, Chronos e Kairos,
haja paciência.

Imagem original daqui.
Texto e edição meus.
21 de mai de 2011 3 Declarações de outras almas

Da crônica quebrada de um amor interrompido

(Prólogo)
Crua.

receio do novo. intuição da dor.

amante da verdade. trauma do falso.

intensidade na entrega. aceitação do risco.

novidade de afeto. amor de ambos.

urgência de vida. pés no chão.


sigo expectante.

(Corpo)
Nua.

espectros de luz. espasmos de gozo.
transbordamento de sentires. inundação de quereres.
excesso de ânsia. falta de calma.

nós de nós. teu em mim.

partes de corpo. inteireza de alma.

sigo desejante.


(Epílogo)
Tua.

manhã de domingo. beijo na cama.
música de cor. canção de amor.

partilha de sonho. bilhete de avião.
cartão de poesia. sussurro de esperança.
abraço de despedida. lágrima de fim.


sigo avante.


t. prates

Imagem daqui.
15 de mai de 2011 0 Declarações de outras almas

Da pequena canção pra te consolar




chora.desagua a dor que te tira a paz.

grita.
denuncia a raiva que te consome o peito.

cala.
emudece o medo que te oprime a esperança.

dorme.
anestesia o desespero que te nega o sono.

fala.
anuncia o futuro que te permite o tempo.

corre!

rouba da vida o que te for (im)possível.
(roubar a vida é direito teu, acredita!)


pro Du, meu irmão.
(se eu pudesse,sentia tua dor no teu lugar.)


t. prates


A vida te dará poucos presentes, acredita.
Se queres uma vida, é preciso que a roubes.
[Lou Andreas-Salomé]
10 de mai de 2011 0 Declarações de outras almas

Da lição de Sísifo


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"E eu não aguento a resignação.
Ah, como devoro com fome e prazer a revolta."

[Clarice Lispector,
no excerto As crianças chatas,

do livro A descoberta do mundo]

***

"Ensina" Camus que é preciso
(é preciso, meudeus!) imaginar Sísifo feliz.***



Imagem original: El mito de Sisifo
Texto e edição meus.
Outra reflexão minha sobre a questão, aqui.
2 de mai de 2011 0 Declarações de outras almas

Da palavra da salvação

você se dá conta de como a palavra é frágil? de como ela não é capaz de sustentar, por si mesma, fatos, planos, sonhos ou estados de ser? de como ela se dis-sol-ve à força do acaso, do devir, da vida que vem como maremoto?

eu me dou conta de como o domínio da palavra se estende, precariamente, apenas no aqui-e-agora? que o advento de poetas e cantadores nunca cessará, porque apesar de se cantar o que é eterno, a palavra nunca é definitiva? (isso me é impressionante: nunca (e aqui ouso dizer com todas as letras): NUNCA haverá um poema definitivo; tampouco uma música definitiva, uma obra de expressão humana definitiva).

você se dá conta de como a palavra é feroz? de como ela dá vida (ao que já contém em si semente de vida) e de como pode matar? de como é intensa sua ação de cura e também de dilaceração?

eu me dou conta de como palavras que pertencem à esfera do amanhã são puro ato de fé? que verbos conjugados no futuro é apenas uma aposta? (exceto o verbo morrer, de cumprimento garantido). e o quanto essa aposta no futuro tantas vezes nos faz conjugar mal os verbos que nos são possíveis-no-hoje (e possíveis só porque é hoje)?

você se dá conta de como a palavra pode ser dúbia? o quanto a boca também pode falar do que não-está cheio o coração? o quanto as palavras podem ser hipócritas? (o que não é possível ao sentir - pois sentir é inteiro: ou é ou não-é).

à palavra, como símbolo que é, só cabe aludir. e aludir é um esforço autêntico de representar, mas que acaba, tantas vezes, por limitar o real, dominá-lo e subjugá-lo. o real é sempre mais. o real é indomável.

e eu me dei conta de que existe algo que sobrepõe em força todas as limitações da palavra.
algo que é, de fato, o combustível humano em absolutamente todas as suas manifestações: o desejo. nada é feito sem ele. nenhum poema, nenhuma canção, nenhum tratado, estudo, experimento, negócio, relação - de que tipo for. nenhuma vida é feita e mantida e sobrevivida sem desejo. (e, como o sentir, pois é do domínio do sentir, o desejo é inteiro: ou é ou não-é).

e não: isso não é um "manifesto contra a palavra". é apenas reflexão. (e - talvez! - uma apologia ao desejo... Rs.)
ainda que na sua fragilidade, fugacidade, ferocidade, dubiedade - a palavra, muitas vezes, é o que me salva - legítima
"palavra da salvação".
 
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