26 de abr de 2010 22 Declarações de outras almas

Da reta intenção


Ela queria a inteireza dos que se buscam com intenção reta, ainda que tropecem. Queria um olhar puro e perspicaz que reconhecesse a (im)pureza do olhar alheio.

"Decepcionar-se é surpreender-se às avessas", deduzia.
Porque ela é daquelas que, imprudentemente, procura acreditar com toda a sua vontade na bondade do Outro.
Pensava que só o encontro de duas verdades que aspiram a serem inteiras e autênticas (nunca perfeitas e prontas) possibilita o Encontro real de duas almas.
Acreditava na construção dessa realidade em comum, desde que os alicerces não fossem feitos de areia. E que a intenção fosse seja sempre reta. Sempre.
Paredes tortas arruinam a casa.

t. prates
23 de abr de 2010 34 Declarações de outras almas

Da intradução


o sentimento nebuloso
não deu permissão
para ser traduzido.

t. prates
15 de abr de 2010 34 Declarações de outras almas

Doa'mar


aproxi-

mar-
se
sem
medo
da
entrega
e ser-
vir
:
vir
a
ser
qual
o rio
que
serve
ao mar

amar: doar para inteirar-se (...)

t. prates

6 de abr de 2010 25 Declarações de outras almas

Da canção do fim para o começo possível

Imagem de Chiara Fersini
Ouve, meu amor

: eis que a Vida quis inaugurar em mim uma nova vida – e eu me assustei com a novidade. Preciso do tempo para fazer com que esse novo fique conhecido e um pouco gasto e eu possa olhá-lo com menos estranheza, e para isso é imprescindível certa dose de solidão.

: nessa busca pungente e vital que tenho empreendido pela minha verdade, descobri que padeço do desconhecido do amor – só sei dele o que minha fantasia foi capaz de inventar. No mais, só tive pistas. E descobrir que até hoje eu só havia inventado o amor me desesperou – é como ter vertido dor em vão, ter saudade do que nunca foi - um desperdício da vida (que é o grande pecado).

Mas agora houve a mudança, meu amor (?), e ela veio de onde eu menos esperava – de dentro do mim (no mim existem coisas que o eu desconhece).
Eu, até aí tão inflexível na estrutura, ousei desconstruir tanta coisa, ousei colocar a casa abaixo e visitar o vazio da ausência dos pontos de apoio. Questionei os dogmas que embalavam minha bonança e minha vida segura. Para que?, você se pergunta... Para poder me reerguer sozinha e nova e sã e livre. Li-vre.
E te confesso (como é bom te confessar o que está além da minha nudez óbvia!) que tais descobertas me foram possíveis graças ao desnudamento da própria realidade (a alétheia tão desejada?): os sonhos estão acordando, as expectativas vestem trajes mais transparentes e a fantasia tem se me apresentado como exceção, não mais a regra.

O que eu quero? Eu desejo que o nosso amor (e a própria Vida) seja possível e tangível, sem fábula ou expectativas de perfeição. Não faço questão de alardes, mas de clareza. É esse o meu desejo. Ainda que para isso a gente tenha que inventar o fim: para que o começo seja real.
É preciso reinaugurar a nossa história.

(Não sei se o que vou te dizer é invenção, mas: eu te amo. Se o amor for uma escolha, eu escolheria te amar.)

t. prates



PS: Esse texto foi originalmente escrito para esse blog, mas acabou indo parar na Confraria dos Trouxas essa semana. Resolvi republicá-lo aqui, por fazer parte de um capítulo essencial na história da minha alma.
3 de abr de 2010 16 Declarações de outras almas

Do dia de Maria (dos elementos de vida)

Hoje é meu dia-de-maria em maria clara simples mente poesia.
Para ler o poema, clique aqui.


Um beijo aos que vierem/forem,


Talita.
 
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