23 de mar de 2009 8 Declarações de outras almas

Paulo Leminski - Inutensílio

22 de mar de 2009 5 Declarações de outras almas

De areia e de pedra



*Ao mesmo tempo
menina-castelo
de areia
e de pedra
sou.
(T. Prates)

PS: 1. Colagem feita com anúncios de revistas.
2. Clique na figura para ampliar.
20 de mar de 2009 0 Declarações de outras almas

Cântico


Ilustração original: Veronica Navarro
http://www.flickr.com/photos/poorsailor/2729196392/
http://www.poorsailor.es/


Adaptação: T. Prates
2 Declarações de outras almas

Bem no fundo

Arte: T. Prates
15 de mar de 2009 1 Declarações de outras almas

Só Amanhã...



(Poema encontrado em língua yiddish na parede de um dos
dormitórios de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz)


Fonte: http://frasesilustradas.blogueisso.com/2009/02/09/so-amanha/
12 de mar de 2009 0 Declarações de outras almas

Das cinzas



Ela tinha um desejo...

Mas por medo o prendeu nos dedos...
Segurou tanto... que ele morreu.
Chora menina...por dentro, que ninguém te vê...
Canta menina,
Se aproxima o dia da libertação...
Recebe as cinzas, celebra a conversão...
Do cinzento no vermelho paixão.
Da pele fria na fogueira de amor e dor...
Diego Fernandes
9 de mar de 2009 0 Declarações de outras almas

Beijo


O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
Drummond


PS: as primeiras fotos com a própria Nikon ninguém esquece! rs.
Maria Cândida e Iago, janeiro de 2009.
6 de mar de 2009 6 Declarações de outras almas

Poesia na Loucura


Mariazinha* é paciente do Ambulatório de Saúde Mental onde sou psicóloga.
Tenho aprendido com minha história e com a maturidade (espero que crescente, pois construída a custo de muita luta) a prestar atenção aos acontecimentos corriqueiros que, não se enganem!, são os que verdadeiramente dão o significado para a vida (já disse Guimarães Rosa que "felicidade se acha é em horinhas de descuido").
E Mariazinha proporcionou-me hoje um singelo e inesquecível instante de poesia + epifania (esses momentos raros em que a gente consegue ver a Vida e sua Beleza com uma claridade óbvia...).
Apesar de ser um centro ambulatorial, ao qual os pacientes comparecem normalmente em horários agendados, Mariazinha tem o costume de fazer-nos "visitas" frequentes e inesperadas. Aparece com seu vira-lata de olhar tristonho, os pés descalços e cheiro de banho "tomado há alguns dias".
Mesmo não sendo minha paciente direta, sua história e "figura" sempre me chamaram a atenção. Portadora de esquizofrenia, os limites entre realidade e fantasia são bastante tênues em Mariazinha.
No seu andar acelerado pelos corredores e salas do Ambulatório, Mariazinha se interte com alguma conversa (seja com outros pacientes, seja com os funcionários). Algumas vezes ela canta.
Algumas vezes ela CANTA!...
Hoje a ouvi cantando para uma das nossas secretárias, que estava recosta ao banco, se refrescando do calor insuportável.
Parei para prestar atenção naquela cena... e fui intensamente tocada.
Deitada no chão, junto com seu vira-lata de olhar tristonho, os pés descalços e cheiro de banho "tomado há alguns dias", Mariazinha cantava para alguém. Cantava com as feições meigas e compenetradas, como que querendo consolar.
Cantava uma canção piegas ("piegas" até então para mim, mas diferente a partir de agora...) que diz:

"Coração, diz pra mim por que é que eu fico sempre desse jeito? Coração, não faz assim... Você se apaixona e a dor é no meu peito... ... E agora o que é que eu faço pra esquecer tanta doçura? Isso ainda vai virar loucura! Não é justo entrar na minha vida. Não é certo não deixar saída. Não é, não..."

Mariazinha cantava, quase que profeticamente, que o amor "ainda vai virar loucura"...
Eu, sozinha, sorri profundamente. Na boca e coração. Enquanto ouvia a voz rouca e desafinada de Mariazinha se espalhar pelas salas frias e feias do ambulatório, eu fui feliz. Mariazinha fez felicidade.


* Nome fictício

T. Prates
3 de mar de 2009 1 Declarações de outras almas

Albo lapillo notare diem





T. Prates
2 de mar de 2009 0 Declarações de outras almas

Schopen!


A existência, segundo Schopenhauer.


A vida se resume a isso?
Se for, parafraseio Drummond: "Eita vida besta, meu Deus".
 
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